MAIS UMA MESMA ORAÇÃO DE NATAL PELOS REFUGIADOS... ATÉ QUANDO?


Desde 2013, fazemos esta súplica junto com dom Samir Nassar, arcebispo maronita de Damasco. Ainda quantos Natais de martírio?

Em dezembro de 2013, o arcebispo maronita de Damasco, dom Samir Nassar, escreveu esta reflexão e prece pela sua Síria natal, devastada por uma guerra insana e brutal.

Chegou dezembro de 2014. A reflexão e a prece continuaram valendo – e de modo ainda mais dramático.

Chegou dezembro de 2015. De 2016… De 2017…

Será que ainda vai chegar dezembro de 2018 e continuaremos tendo que fazer as mesmas considerações, as mesmas súplicas, os mesmos rogos?

Onde estão os seres humanos que não querem fazer a sua parte? Quem são? Por quê?


O Menino Jesus, como reafirmam com fé perseverante o arcebispo Samir e o sem-número de cristãos daquelas terras em martírio ininterrupto, tem muitos amigos na Síria: são as milhares de crianças que perderam suas casas e estão vivendo em barracas, pobres como o estábulo em Belém. Desde 2013. Desde bem antes disso, aliás. E até hoje.

De coração na mão, renovamos esta reflexão e esta súplica. Mas… até quando?

* * *

Neste Natal, podemos dizer que a Síria é o lugar que mais se assemelha a um presépio: um estábulo aberto, sem portas, frio e desamparado.

O Menino Jesus tem muitos amigos na Síria: milhares de crianças que perderam suas casas e estão vivendo em barracas, pobres como o estábulo em Belém.

Jesus não está sozinho em sua miséria. Crianças da Síria, que foram abandonadas e marcadas por cenas de violência, ainda prefeririam estar no lugar de Jesus: com pais amorosos para cuidar delas e dar-lhes carinho. Esta amargura é claramente visível aos olhos das crianças da Síria, em suas lágrimas e seu silêncio.


Alguns invejam o Menino Jesus, porque Ele encontrou um estábulo para nascer, protegido, enquanto algumas destas crianças sírias infelizmente nascem sob bombas caindo ou no caminho rumo ao êxodo.

E, apesar de suas muitas lutas, Maria não estava sozinha, como muitas mães menos afortunadas que vivem em extrema pobreza e assumem responsabilidades familiares sem a ajuda de seus maridos. Mesmo a precariedade da manjedoura de Belém traria consolo para aquelas mães esmagadas por problemas sem solução ​​e por desespero.

A presença reconfortante de José na Sagrada Família é uma fonte de inveja para as milhares de famílias sem pai – uma privação que gera medo, ansiedade e preocupação. Nossos desempregados invejam José, o carpinteiro, que é capaz de sustentar a sua família.

Os pastores, que com os seus rebanhos se aproximam da manjedoura, lembram os muitos fazendeiros sírios que perderam 70% de seu gado nesta guerra.

A vida nômade, que nesta terra bíblica remonta a Abraão e até mesmo a bem antes dele, desaparece abruptamente, junto aos seus antigos costumes de hospitalidade e cultura tradicional.

Os animais dos pastores se compadecem diante do sofrimento dos seus semelhantes sírios, que, devastados pela violência mortal, perambulam entre as ruínas e alimentam-se dos cadáveres.

O barulho infernal da guerra sufoca o “Glória” dos anjos. Esta sinfonia de Natal é obscurecida pelo ódio, pela divisão e pelas atrocidades.

Que os três reis magos tragam à manjedoura da Síria os mais preciosos dons do Natal: paz, perdão e reconciliação, para que a estrela de Belém possa mais uma vez brilhar em meio à escuridão da noite.

Senhor, escutai a nossa prece.

+ Samir Nassar

Fonte: Arcebispo maronita de Damasco
MAIS UMA MESMA ORAÇÃO DE NATAL PELOS REFUGIADOS... ATÉ QUANDO? MAIS UMA MESMA ORAÇÃO DE NATAL PELOS REFUGIADOS... ATÉ QUANDO? Reviewed by Eu e Deus on dezembro 08, 2017 Rating: 5